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não vão ver,

por mary, em 20.01.13

este filme

 a sério, não vale a pena

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dá para ir brasileirar?

por mary, em 16.01.13

e queria eu tanto que o verão voasse todo o atlântico e me viesse hidratar desta sede que tenho de chopes e quindinhos, me trouxesse o Chico embrulhadinho em tafetá e o cauã desarregaçado que tanta saúde não pode caber dentro de camisinha de alça e viesse também a rita com as suas rezas e drops de anis, arrastasse o corcovado que caberia todo dentro da minha sala que isto de querer é poder. o rei de baleia e calhambeque e todas as curvas do arquitecto que já se foi, não se chorou que viveu muito para nos deixar arregalados com tanta curva e beleza. o amado, ah o amado. claro que não há muito para dizer, ele já tudo disse tal como o jobim. esse traz o verão encostado no vinicius e eu mergulho só para acordar que ainda não chegaram todos. vou plantar o meu pé de laranja e escrever como o drummond para que esse verão chegue rápido e me acalme de tanta desidratação em tanto sangue, tanto poema.

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comer para ter voz

por mary, em 10.01.13

é giro este mundo em que guardanapos servem de cobertores a carros telecomandados, mãe nós comemos para ter voz - é que não sei de onde ela vem, e em que o silêncio já só existe quando não estão presentes mas que nos aquecem, aquecem tanto esta minha alminha de gente que arrefeço se não os vejo. giro mundo que voa em sofás e se eclipsa numa sala de cinema, cuidado! está atrás de ti!, e tu sorris,.. pareces uma tonta de boca embeiçada com tamanha beleza e formusura, que até calculas que vem de ti mas não, pasme-se que é tudo deles tudo tão deles que morres de miaúfa que um dia não te pertençam mais. mundo giro de joelhos rasgados e abraços gordurosos de chocolates e sonhos gigantes, mãe vou ao banco comprar dinheiro para podermos ter uma casa grande e gira, e a mãe hoje está tão querida nem nos obriga a comer tudo até ao fim e nós para aqui que tontas, tão embeiçadas quando os vemos de mão dada na escola, o B gosta de mim, vai ser meu namorado, eu sei eu sei eles já deram um beijinho na bochecha e que eu agora quero um telemóvel porque preciso mesmo dele mãe, e se quiser falar comigo? e nós para aqui que tontas, tão embeiçadas com tudo isto, que parece tanto mas é tudo, tudo e mais um par de botas

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...

por mary, em 09.01.13

E então atravessei aquele infinito que é morar em bairro pequeno, dentro de cidade imensa. atravessei do mesmo modo que me atrapalho com o brasileiro que me cai entre páginas e mora dentro de mim. olhei para os lados para ver se alguém me olharia. enquanto me distraio, correm carros e desliza gente que invariavelmente me toca. num desses momentos de toque comovi-me e sorri, vi então num olhar toda e qualquer espécie de desinquitude.não sei se está bem dito mas também me parece que poucos ou nenhuns notarão. atravessei esse infinito e vim morrer do lado de cá.a princípio apressadamente como se essa levitação me transportasse para qualquer sítio, a seguir e depois porque não aprendi ainda a morrer.

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Sofá

por mary, em 02.01.13

Vivíamos um amor parolo como aqueles que o Lobo Antunes descreve tão bem nas suas crónicas,
Que vivia encantada sempre a ser adorada, a julgar que era uma mais-que-tudo, idolatrada em segredo.
Vivi esses momentos com um orgulho desmedido, ai que ricos filhos que nós temos, ai que aqui existe tanto amor, valha-nos isso que de resto pouco temos.
Vivíamos constantemente sem dinheiro, numa espera ansiosa do fim do mês. Que se calhar este mês é que dá para passarmos o fim-de-semana numa pousadita ou talvez comprarmos aquela estante que tanta falta nos faz, ou encomendar uma cama para o mais velho que a criança já nem cabe naquela gaiolita de quando era um bébé.Pobre coitado! Que tão mal se ajeita naquelas grades de prisão mal dormida, que tantos avisos nos faz, "que não gosto desta cama, quero dormir na cama da mãe".
Vivíamos tão angustiados que só podia mesmo saber tão bem, tão enroscadinhos que ficávamos ao fim da noite no sofá comprado em promoção.
Os miúdos calados e o nosso silêncio preenchido com frases tão sinceras "já te disse que és a mulher mais bonita do mundo?"
Que silêncio Meu Deus, que conforto que fazia, sabermo-nos tão próximos que nos ríamos da pobreza e precariedade que nos habituámos tão bem. Quanta força havia naquelas palavras, "se sairmos desta este mês então é porque vamos mesmo morrer velhinhos, agarrados a este amor que nos alimenta desta fome e nos aquece deste frio social".
Que felizes que nós eramos bolas!
O que nos fez zangarmo-nos tanto que desapareceu todo aquele brilho que iluminava as nossas noites agarradinhos no sofá?
"Gostava tanto de ir jantar fora contigo, passávamos a noite em qualquer sítio. Os miúdos ficam bem vais ver. É só por uma noite descansa"
Onde jantas tu agora nestas noites em que as horas passam sem que eu dê conta? Tenho muito mais trabalho agora que estou com eles. É tudo a dobrar, sou só eu sozinha a carregar estas horas.
Estas horas em que me lembro de tanta coisa que quando dou por mim, já são horas de dormir, de tentar descansar,
De tentar convencer-me que afinal foi melhor assim, porque nos destruíamos um ao outro. Como foi possível destruir alguma coisa assim, agarradinhos num sofá...

 

algures em 2008

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...

por mary, em 02.01.13

Vieste-me trazido pelo vento nem sei bem onde foste apanhado. Trazias toda a esperança das pessoas ventosas, aquelas para quem qualquer decisão é fácil e tudo tem a sua devida importância. Agradaste-me tanto quando te vi que pensei pela primeira vez que serias para sempre qualquer coisa importante para mim. Acertei. Certinho tanto como quando falámos da tristeza e da chuva. Achei que esse brilho não ia morrer nunca em ti mas também achei que era esse brilho que me ia salvar duma neurose crónica. Quando percebi que nem isso me valeria chorei durante três dias seguidos. Deste-me sopa quente e cantaste para me acalmar. Varreste naquelas noites toda a angústia que me preocupava. Valeste-me tanto que nunca mais deixei de pensar em ti. Hoje sou mais forte porque me trouxeste vento. Mas com ele vieram as intempéries, os ciclones e os furacões. Vieram as tempestades e as descargas emocionais. Vieram as perturbações atmosféricas e as desvantagens de se querer ser livre. Trouxeste o vento contigo e o desassossego das temperaturas estivais. Precipitei-me de argúcia porque chuva é precipitação. Tornaste-me instável pela busca da harmonia. Encontrarei a paz quando me secarem por dentro de mim.

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