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Fim de Verão

por mary, em 21.09.12

Rasgou-se por dentro num ápice.

 

Bastou que ela lhe tivesse dito que o Verão acabara.

 

Olhou-a nos olhos à espera de uma risada metálica, tão típica dela se o desafiava para qualquer coisa, no mínimo, libidinosa.

Olhou-a fixamente.

Sério.

Expectante.

 

Ela não se riu.

Sorriu simplesmente.

 

E foi esse sorriso que lhe alavancou uma dor imensa no peito.

Aquelas dores que magoam mesmo, que nos dilaceram de uma ponta à outra, que nos trazem automaticamente para uma realidade amorfa e doentia.

Baixou os braços e inconscientemente os seus ombros descaíram. Toda uma postura se transformou.

 

- É só isso? É só isso que tens para me dizer?

 

E olhou-a uma vez mais para dentro daquele azul que são a sua alma, aquela essência brotante de uma personalidade atrevida, fascinante e enlouquecedora.

 

Enlouquecera no meio das suas coxas, entre beijos delirantes e suspiros lânguidos. Fugira-lhe a razão de cada vez que ela lhe suspirava ofegante frases tiradas de filmes ou de livros que entretanto lera.

 

Enlouquecia agora com a renúncia a que tinha sido exposto,que o diminuía de tamanho e que o matava devagarinho à medida que os minutos passavam.

 

- O Verão acabou meu caro. E com ele a minha disponibilidade para amar.

 

Mais um título de filme atirado à queima-roupa.

Na verdade, ela não seria mais que um rebuscar de frases feitas, um reciclar constante de pequenos clichés, encaixados na perfeição na altura adequada.

Na verdade ele sabia que nada daquilo lhe interessava para nada.

 

Sentia-se sim, esmagado pela surpresa da decisão.

Arrancou-a do banco e encostou-a à parede. Rasgou-lhe a roupa e entrou nela devagar, sem pressa reparando que ela não contestava e se deixava ir. Fez dela o que queria e,

por fim,

beijou-a na testa

 

- O Verão acabou minha querida. Jamais te esquecerei.

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Escafeei-te

por mary, em 21.09.12

Escafeei-te em todas as aldeias onde consegui parar.

Entrei por ruelas e calçadas à espera de um vislumbre teu.

Parei na porta das tabernas a ver se era de lá que saías.

Entrei em Igrejas e ajoelhei-me à tua espera. Rezei infinitamente só para tentar ouvir a tua voz.

Invadi mercados e feiras e gritei como as apregoadeiras,mas o teu nome,a tua sombra.

Encontrei-te num copo de vinho, numa noite em certa casa,

Traguei-te de um gole e esperei que te instalasses nas vísceras do meu ser. Embebedei-me de ti para te poder destilar nas semanas seguintes.

E aqui estou eu, bêbeda de ti, sedenta de um analgésico que me apague esta dor em ti.

E aqui estou eu, bêbeda de nós,enfrascada na tua ausência, decalcada da realidade.

Esta ressaca que se instala e me consome, curá-la-ei noutro copo de vinho,

tragado de um só gole, diluído neste sangue embriagado. Sangue de ti.

Sangue de vinho

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inquietação

por mary, em 21.09.12

estado que me é natural, intrínseco.
forma de estar que amíude me encontro,
ora em modo rejubilante,
ora em modo neurótico.

pelo júbilo, quase sempre abrando tamanha convicção e ligeireza em copos de tinto, com companhia ou sem ela
em antítese, versão "withtheblues",
descarrego em prosas eloquentes carregadinhas de rancores e outros ódios viscerais

na maioria sinto-me capaz de tudo,do bom e do subtil. Frequentemente em doses desiguais.

Amparo quedas e hematomas em mimos de amigos e carícias mais ou menos intensas. Remédio para a vida: aceitar o Dr. Jekkyl e convidar
o Mr. Hyde quando o primeiro entra. Dar-lhes espaço e fazê-los sentarem-se à cabeceira. Não fazer perguntas e pacientemente esperar que se ausentem...

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