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sem título

por mary, em 04.05.20

Sempre que se sentia assim, tentava correr a grande velocidade porque sentia que, em caso de embate físico com o vento, a maioria da frustação perder-se-ia numa combustão química automática como se fosse um dirigível em queda livre. Fatal e despretensioso.

Pau! Inevitável.

Quando se sentia assim, bater com os cornos no chão também poderia ser uma solução instantânea. Em caso de dúvida ou de hesitação, devorava tudo o que encontrasse no frigorífico. 

Foi a ssim que engordou 40 quilos, porque a psicose não a convencia a aprofundar quedas livres e despreocupações absolutas.

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isto, ou o meu género de Requiem.

por mary, em 31.03.20

https://open.spotify.com/playlist/6U8w2rXfHGPVm0mVsm6m9j?si=30hDDz47TlOFlnHbVgoRbA

"uma espécie de Requiem alemão", ateu e bipolar.

o brilhantismo desta obra e o arrebatamento que ela me provoca, faz-me querer atirar para o chão e por ele entrar,

cravar-me nele

faz-me querer gritar compulsivamente e espernear em gargalhadas, neurótico e vitorioso, desproporcionado em agitação interna e impulsionador de serenidade interior.

pela minha rica saúde, ouvir isto é poder

poder de subir, trepar montanhas e voltar,

poder de voar atirando-me de uma ponte em queda livre,

poder de chorar, como se de mim se tratasse. a minha morte, e isto que vos deixo, como o poeta, esta minha dor e fortaleza. 

faz-me ter certezas de que carrego em mim toda uma armadura, toda uma impiedosa coragem de vencer. 

faz-me isto, cenas de yoga que aquecem pelas vísceras e coloca toda uma respiração fora de ordem, peito escancarado e espasmos enviusados

peito dilacerado por esta inquietude de obra-prima

faz-me comover-me. faz-me muito.

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inVerno

por mary, em 08.05.19

Enquanto nos vergamos não somente para esfregar essa roupa

Essas calças tingidas de vinho

Ou essas meias, descalças de humanidade.

Nos vergamos para aceitar toda uma realidade desconecta,

uma mentira já verdade de tanto apregoada

bem sei é mais do mesmo toda a lengalenga do feminismo e outros ismos que já nos habituámos

e quem nos diz como conseguimos ultrapassar barreiras entre quem nos pensa e quem nos quer pensar

em quem nos desconstrói e desfaz e estas desaventuranças de nós próprias

sou eu, esta mesma que não quer fazer o que lhe dizem

nem o farei, lamento

Ide-vos catar

Ide-vos catar e para bem longe

 

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em volta

por mary, em 06.09.13

e voltar, tanto tempo depois de tudo. começar outra vez e cada vez mais querer ficar para sempre em letargia emocional tudo bem, sempre em ordem e saber-se pelas vicissitudes de vida que sempre acaba quando se acaba e que bem que soube, pudesse eu repetir e faria tudo igual, da mesmíssima maneira que burro velho não enfarda palha ou lá o que é e aqui vou eu espojar-me em sofá pronta de cornos postos na vidinha catita que tenho e sim, estou de volta que a vida sem isto não tem mais graça.

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"não devia existir a palavra morrer"

por mary, em 13.03.13



disse ela certa noite, do alto dos seus 6 anos. "se não existisse a palavra as pessoas não morriam..."
e ali se deixou ficar, deixando-me inquietada com tamanha sabedoria transmitida em simplicidade.

enroscou-se no meu colo e continuou. estou triste de saudades do avô que não conheci. estou triste também porque ele deve estar triste por não me conhecer.
e o meu queixo caído e as lágrimas rasantes a querer descer e eu, cá por dentro, permeável a toda esta beleza de conteúdos que se tornou esta pessoa de palmo e meio
e querem eles crescer.
e viver dias sobre dias para acabar toda esta explanação transparente. querem crescer e angustiar-se com racionalizações crescidas e apagar a poesia, toda esta poesia que não sabemos de onde vem mas que se apaga. quando crescemos.

e quando deixamos que os outros matem toda a metafísica que há em nós   

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e,

por mary, em 13.03.13

sempre que se erguia, batia-lhe o vento na cara. oscilava como bambu em jardim e suspirava bem fundo lá dentro. hoje será outro dia, pensava enquanto ajeitava as madeixas coloridas. sim, hoje será outro dia.
durante muito tempo, aconteceu assim todos os dias. vinha vento e vinha chuva, vinham promessas de dias solarentos e ela aguentava-se como bambu em jardim e suspirava bem fundo lá dentro. houve dia em que o vento não soprou, dia em que chuva não caiu e o sol espreitou, escancarou-se deixou-se ficar. o bambu que oscilava ficou firme e enraizou. os suspiros diminuiram e o ar tornou-se menos denso. apareceram pessoas de todos os lados, com as mantas e os piqueniques e formaram clareira à volta dela. ela inchou e espraiou, gozou e manifestou-se. veio mais gente com seus animais e pássaros de estimação. e, a partir dessa data, o domingo nasceu para toda a gente.

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pop

por mary, em 04.03.13

e pronto, mais uma pipoca no firmamento...

e mais teorias fascisóides sobre o delito de opinião que é como quem diz, "não concordo, logo abusa do direito à exaltação".

simples. e eficaz.

espalhem a boa nova, temos bruxa em praça pública.

bute aí queimá-la???

e lá vão eles, contentinhos por ir em fila, parece aquele jogo infantil do telefone partido, começa com uma frase e vai-se sussurrando até alterar a palavra inicial. normalmente descobrem-se coisas parecidas com a teoria da relatividade... ui, gosto tanto de brincar!!

e opinam, sobre o opinanço e consequências nefastas e graves de tão imbecis.

a miúda que foi aos óscares.

e a outra adivinha? ela arrota postas de pescada sobre o maravilhoso mundo do dizer mal para não olharem para dentro que não se passa aqui nada. e arrotou. e então? e daí?

será sua excelência a opinion maker que de facto interessa? e se interessasse? ela não está ali para "comentar" sobre moda?

e as opiniões dela serem merdosas desde sempre, isso também não interessa?

 

e a outra que a processa? valha-me Deus, Alá e as Santinhas. Não é a mesma que acredita na magia do amor universal???

adoro este cantinho. verdade. é que adoro mesmo!!

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extravio

por mary, em 19.02.13

tinha-se cansado de lutar, de pegar na vida que não era sua e de tentar transformá-la em qualquer coisa de útil. pareceu-lhe, assim de repente, que a utilidade seria a resposta viável. deliberou de imediato nas possibilidades e pôs-se ao serviço da comunidade. apresentou-se como ser responsável, idóneo, capaz e  adequado. trajou a rigor e impecavelmente penteado validou-se a quem de direito. colocou-se à disposição e vinculou a disponibilidade para se comprometer. começou de imediato. trabalhou, especulou e suou, esforçou-se, esgotou-se e por fim vendeu-se. concluiu que a utilidade tinha tudo para ser extraviada.

 

 

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vade retro

por mary, em 19.02.13

eu devia ser ungida

e passada por água benta, e consagrada, de novo bendita e excomungada. eu não sou boa rês. atirem-me aos porcos e pendurem-me no pelourinho. chicoteada, excomungada outra vez e a seguir lavo os pés de quem quiserem. penitencio-me descalça e jejuo uma quarentena inteirinha. dispo todo o heretismo que carrego na lombada e perpetuo reverência para toda a eternidade. mas,

por favor,

deixem-me estar.

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à espera de godot

por mary, em 19.02.13

- Ao tempo que estou aqui
- e esperas por quê?
- não sei bem
- esperas alguém?
- não, acho que não
- e estás há quanto tempo?
- não sei, ... dias, não sei quantos
- e tens comido?
- sim
- e comes bem?
- acho que sim
....
- continuas aqui?
- parece que sim
- já sabes o que esperas?
- é preciso saber? tu precisas saber?
- eu? ... não, acho que não...
- então porquê tanta insistência?
- incomodo?
- se continuares a fazer perguntas sim.
- então deixo-te
- já me deixaste, lembras-te?
-.não comeces.
- não começo o quê?
- não comeces outra vez com essa chantagem deprimente
- chantagem? deprimente? estás a gozar comigo?
- eu??? não, e tu? estás a gozar comigo?
- estamos a falar de quê ao certo?
- não sei. pensei que sabias
- não. olha, vou ali
............

- continuas aqui?
- bolas mas que chatice! o que é que te parece?
- parece-me que estás a enlouquecer...
- jura? e só passados tantos anos é que te apercebeste?
- já vi que não dá para conversar contigo...
- ??? mas porquê? não estamos a conversar? isto não é uma conversa?
- não. isto não é nada.
- não é nada? então o que consideras dois adultos num espaço físico e temporal em simultâneo a verbalizar um com o outro? sonho?
ilusão?
- nós não estamos a ter uma conversa.
- nós não estamos a ter uma conversa? mas o que é que isso quer dizer?
- quer dizer que não estamos a conversar. estamos a agredir-nos um ao outro
- não. discordo completamente. eu não te estou a agredir e não me sinto agredido por ti.
- não? pois eu sinto-me
- sentes-te o quê?
- esquece.não sinto nada.
- agora sim, estás a desconversar.
- pois estou.mas também discordo porque inicialmente não estávamos a ter uma conversa.
- não estávamos a ter uma conversa?
- não. não estávamos a ter uma conversa.
- ok. então podes ir andando porque eu estou mesmo doido. estou a falar sozinho.
- iá. ou com os teus fantasmas.
- ah ah.não acredito em fantasmas.
- e eu não acredito que tu existes.
- então também estás louca porque agora desataste a falar sozinha.
- sim
- sim o quê?
- olha, posso esperar contigo?

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